Visitantes

O pastor seja marido de várias mulheres

Enquanto o clima no Vaticano não vai muito bem devido aos freqüentes escândalos de pedofilia envolvendo líderes da Igreja Católica Romana, e muitas vozes levantam-se acusando o celibato como sendo o grande vilão. Nas igrejas evangélicas brasileiras o escândalo é outro, apesar de que para muitos já não é mais escândalo, é muito normal: pastores maridos de várias mulheres, nas palavras de Augustus Nicodemus seria a “versão moderna e evangélica da velha poligamia” que é “ter várias mulheres durante o seu ministério, embora não ao mesmo tempo”.

A aprovação do divórcio no Brasil, em 1977, não teve a aceitação da Igreja Católica Romana e nem das igrejas evangélicas. Mas o povo brasileiro abraçou este instituto legal. O IBGE tem registrado desde 1984 os divórcios no Brasil e a curva tem sido ascendente. Neste crescimento do número de divórcios, encontram-se inseridos vários irmãos de confissão cristã. Dentre os quais não poucos pastores. Igrejas que se posicionavam contra o divórcio hoje são lideradas por pastores divorciados e recasados pela segunda ou terceira vez.

Nesta esteira de se proteger dentro de um instituto legal, que é o divórcio, para o rompimento de uma aliança de casamento e se lançar a um novo casamento, a igreja tem consentido em deixar que o contexto hodierno dite o que é certo. A lei brasileira é tomada como superior às recomendações divinas constantes nas Escrituras.

Deus não aprova o divórcio. Malaquias diz que o divórcio é abominável aos olhos Deus. A carta de divórcio concedida por Moisés, é um consentimento, não uma aprovação divina. Jesus diz, mas não foi assim no princípio. Referindo-se ao caráter inquebrável da aliança. O apóstolo Paulo, visando à saúde e proteção em casos de casamentos danosos, aceita a separação, não o divórcio, pretendendo deixar com isto uma possibilidade de reconciliação.
Novo casamento não é plano de Deus, mas há casos em que a igreja tem entendido como sendo uma concessão divina: infidelidade conjugal e abandono/deserção.


A questão é que todo pastor que se divorcia e casa novamente o motivo é sempre a mulher que o deixou ou que o traiu. Quem tem acesso a fazer sua voz ser ouvida impõe sua versão. Você já percebeu que sempre é a mulher do pastor a culpada? Em estatística alguma esse número de 100% é razoável. Pastores traem suas esposas e se dizem traídos por elas. Trocam suas esposas pelas ocupações mil do ministério e dos negócios. Tomando prazer na mercantilização da fé e não mais se deleita em estar junto de sua esposa. A esposa é apenas um peso para o seu ministério, a família um impedimento, pois estão sempre a demandar tempo e atenção, os quais ele não pode dar, pois é seu dever dedicar-se a causa do Mestre (que não é a causa do Mestre, mas causa própria). Pois a causa do Mestre é antes de tudo o zelo e pastoreio da própria família. Se há um conflito entre pastorear a família e pastorear a igreja, um pastor movido pela causa do Mestre, sem dúvida optará pelo pastoreio de sua família. Pastor cujo ministério está acima da família esqueceu que o maior ministério de um homem é o cuidado e o sacerdócio do seu lar. E o não fazê-lo é trair a sua esposa, apesar de não se deitar com outra mulher está roubando o que à sua esposa pertence por direito de aliança matrimonial.
Nesta nova prática ministerial que tem tornado mais comum do que alguns imaginam, gostaria de transcrever alguns ponderações do divórcio e o novo casamento para os membros do episcopado e sua prática pastoral citados por Nicodemus em seu livro O que estão fazendo com a igreja:

O primeiro é a paz e o sossego que um casamento estável oferece e que se refletem inevitavelmente na lide pastoral.”

O segundo ponto é o exemplo, para os filhos, se houver, e para os casais da igreja que pastoreia. Todos esperam que o casamento do pastor seja uma fonte de inspiração e exemplo.”
O terceiro ponto é a questão da autoridade. Não era esse o receio de Paulo, que após ter pregado a outros não viesse ele mesmo a ser desqualificado? (1Co 9.27). Qual a autoridade de um pastor divorciado já pela segunda ou terceira vez para exortar os maridos da sua igreja a amarem a esposa e a se sacrificar por ela?”
Quarto ponto, “Pastores que já vão no segundo ou terceiro casamento estão passando a seguinte mensagem para os casais da igreja: “O divórcio é uma solução legal e fácil para resolver os problemas do casamento. Quando as coisas começam a ficar difíceis, o caminho mais rápido é o da separação e o recomeço com outra pessoa”. Essa mensagem é também captada pelos jovens, que um dia contrairão matrimônio já pensando no divórcio como a saída de incêndio.”

Senti-me, há alguns meses, provocado a escrever este texto, pois infelizmente, não tenho visto a igreja preocupada em refletir sobre esta nova realidade e nem mesmo clarear qual a condição de serviço dos pastores e obreiros recasados. Estão aptos a permanecerem no serviço pastoral? Podem exercer função de liderança? Não basta uma resposta sim ou não, mas sim uma refletida biblicamente. Acredito que o momento presente exige muito mais um posicionamento da igreja, diante da recente aprovação do divórcio imediato em nossa nação. Deixo a conclusão com o apóstolo Paulo “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar...” (I Tm 3.2)


Hilquias Benício
www.vida13.com

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

0 comentários:

Postar um comentário

Horas